VISÕES

GERAIS

Há quem diga que o Soma Cultural nasceu em uma mesa de bar. Há quem diga que foi em meio a uma conversa sobre a necessidade de existir um lugar onde a arte e a cultura sejam re-al-men-te degustadas e digeridas. Há também aqueles que acham, e concordo com eles, que o Soma Cultural brotou espontaneamente.

Partindo então do princípio de que o Soma Cultural brotou, é sinal de que o solo é fértil. E este solo é você, sou eu. Solo este que precisa ser alimentado com a farinha lírica que habita nossa neobrasilidade.
O Brasil surgiu da soma de raças, de culturas, de pensamentos e o resultado dessa miscelânea não poderia ser nem menos colorido e nem mais poético. O nosso povo faz das panelas vazias, batuque; faz das lágrimas, rimas; faz da realidade, sonho. Nosso país tem uma cara que vai além de abundantes mulatas sambando no intervalo do Fla X Flu e isso é fato.

O Soma Cultural nasceu e ta aprendendo a falar. Sua voz é a nossa voz. Queremos que suas palavras sejam um discurso preciso, autêntico e transformador. Pra isso, convidamos você a dividir suas percepções para que diminuam as distâncias culturais em nossa sociedade, somando nossas essências em nossos encontros.

Amigo, seja muito bem vindo ao Soma Cultural, o lugar onde a união não faz só a força, faz também a arte.

FILOSÓFICAS

Da caixa de pandora da sociedade contemporânea escapam os males: “tudo é problema”, a saúde, a educação, o trabalho, o corpo, a juventude, a velhice, etc. Essas entre outras questões suscitam angústia e sentimento de impotência. É possível observar um tipo de esquizofrenia social que fomenta uma despersonalização individual e coletiva, a qual, é estimulada pela publicidade perversa que recorre com impávida insistência ao imperativo categórico: Possuo logo existo.

O planeta está entrando em colapso, em função de um modelo de desenvolvimento econômico que se pauta no lucro, no narcisismo, na bulimia do consumo.

A sociedade, na desenfreada busca pela satisfação do impulso inconsciente de prazer, se perde em meio à violência, ao desemprego, à insegurança, criando formas punitivas de autoflagelação. Há aqueles que recorrem cada vez mais aos antidepressivos em busca de preencher um vazio existencial, sobretudo estético.

Se a consciência crítica é vilipendiada agressivamente pelas concentrações midiáticas;

Se grande parte da potencialidade cultural é transformada em pão e circo pós- moderno;

Se o valor da ética convive num sistema em que o hábito é arranjar um modo de burlar a lei, recorrendo à prática do clientelismo;

Se há uma degradação do papel filosófico existencial da cultura como experiência originária, dando lugar à reificação;

Torna-se inadiável o desvio do viés apocalíptico e reducionista e faz-se necessário apostar no aspecto inacabado do mundo e na possibilidade da raça humana melhorar suas qualidades mentais e físicas, para lidar com o mundo cada vez mais complexo. E assim abrir novos espaços para expressões artísticas e culturais, as quais têm o poder de romper com as representações ideológicas que a sociedade tem de si.

As pessoas buscam no imaginário coletivo os elementos para configuração da identidade: símbolos, idéias, valores, representações. Esse processo de apropriação se dá por meio das inter-relações que entrelaçam e compõem as dimensões da existência concreta (práxis): no poder político, nas relações sociais, nas diferentes formas de instituição jurídica, no mercado com seus distintos modos de existência, que são o resultado de um agenciamento contingente.

Essas entre outras questões, dão início ao diálogo do movimento SOMA CULTURAL, que tem como propósito provocar e promover encontros, oficinas, laboratórios, voltados para perspectivas que perpassam os diferentes estratos da vida humana, de modo que estas trocas de experiências possam suscitar um impulso visionário que sustente os ritos e rítimos das produções culturais.

O que buscamos fundamentalmente é somar as aspirações de desenvolvimento de cultura não submetida às regras do jogo estabelecido pelas formas hegemônicas de cultura, mas pela busca do reequilíbrio do jogo da subjetivação.

Desse modo, abre-se um espaço democrático para iniciativas individuais e coletivas, parcerias e encontros em prol de outros ângulos de percepção do imaginário da nossa cultura.

O intento é criar um espaço que permita novas formas culturais de expressão que trabalhem no limite da significação e hibridação com o humano.